Habbilô mota

As motas na Música Popular Alternativa

por Bruno Raposo

Ao longo dos tempos tenho vindo a notar que um do temas recorrentes na Música Popular Alternativa é a mota. Normalmente motorizadas, que à primeira vista não são o último grito da moda, mas que para os artistas representam um símbolo de status e uma eficaz forma de seduzir o sexo oposto. Encontram-se vários exemplos desta temática. Eu, numa curta pesquisa, consegui reunir 5 exemplos mas acredito que existam muitos mais.

 Amadeu Mota – Suzuki Vermelha

Provavelmente este tema de Amadeu Mota é o mais conhecido pelos fãs do Portal Pimba, entre todos os temas aqui reunidos. Nele, o cantor de “Ela tinha apenas 15 anos“, discorre sobre todas as virtudes da sua Suzuki Virago vermelha. E, tal como nas restantes músicas, também Amadeu considera a sua mota um objecto de sedução: “Quando chegar o próximo domingo trago a Suzuki para impressionar-te” – diz para a sua amada.

Recordemos que Amadeu Mota tem no seu repertório outras músicas dedicadas aos seus veículos. Em “Amor no carro”, também o seu Ford Escort branco é um objecto de sedução e o local ideal para fazer o amor. A importância do carro é tal, que este é personificado no verso “a lua cor de lume, iluminando nós três”, levando-nos a imaginar que o carro é o terceiro elemento do casal.


Luis Jorge – Mota do amor

Grande êxito em 2012, tendo recebido o galardão de disco de ouro, este tema catapultou a carreira de Luis Jorge, sendo hoje presença assídua nas tv’s. Marcada por um ritmo muito dançável, facilmente reconhecemos aqui a produção de José Félix, um dos melhores produtores a trabalhar estes ritmos.

A temática continua a ser essencialmente a mesma, aqui na forma de uma sedutora Sis Sachs v5 vermelha que deixa todas as mulheres (e não só) loucas à sua passagem. A ligação especial de Luis Jorge à sua mota é perceptível pelo nome que este lhe dá – “minha Rosca”.  A música acaba no entanto por ser algo repetitiva, baseando-se essencialmente no refrão.

Aleziv – A minha mota

Editado em 2017, este tema da banda de Vizela (basta olhar para o nome do grupo) explora as sonoridades da música tradicional portuguesa. No entanto, a temática mantém-se e a mota está sempre presente como objecto potenciador do amor. Neste caso a mota é uma nobre Famel Xf 17.

“Toda a gente sabe que o rapaz solteiro gosta de ir ao Porto tralara la la”, cantam os Aleziv. E para que não restem dúvidas do que é o “tralara la la” eles mesmo desfazem a dúvida: “Havia sempre quem pedisse uma boleia, mas eu escolhia quem podia pôr na mota, porque ela tinha que aceitar a minha ideia, de mais à frente darmos uma cambalhota”.

Surpreende-me que só os Aleziv tenham usado o termo “cambalhota”, é tão óbvio…

Jorge Loureiro – A mota do Chico

Jorge Loureiro é um dos concertinistas que mais tem crescido nos últimos tempos. Um estilo que está cada vez mais popular, com nomes como Augusto Canário e Minhotos Marotos a desbravarem caminho.

Este tema é o único destas 5 músicas que não é contado na primeira pessoa. A velhinha e barulhenta “Mota do Chico” é a protagonista desta história. A música vive essencialmente da onomatopeia do refrão “pararapapa pa pa pa pa” que nos fica imediatamente no ouvido. Os ritmos dançáveis e as concertinas frenéticas completam a festa.

Habillô – A minha mota dá rateres

Se o anterior tema de Jorge Loureiro começava com o mesmo a dizer “Pegas ou não pegas, sua tola”, Habillô neste tema vai ainda mais longe e começa o seu tema com a peculiar expressão “Até se entorta!!!”.

O artista natural de Castro de Aire, que mais parece uma personagem saída da série da BBC “League of Gentleman”, mantém-se fiel à temática dominante nestas músicas. A mota, uma velhinha Famel reparada, ainda é objecto de cobiça e ainda vira as cabeças dos transeuntes ao passar pela rua a dar rateres. O videoclip desta música é fantástico e merece que o vejam!

Conhecem outras músicas cuja temática sejam os veículos de duas rodas? Comentem com o link para a mesma!

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